
Rui para Beatriz
Desafinado
Beatriz, catorze anos a cantar o mesmo fado desafinado enquanto fazes o jantar, sempre a partir do mesmo verso. Eu já nem preciso de olhar para o tacho: sei que está quase quando chegas à segunda estrofe. Na semana em que estiveste fora, fiz o jantar em silêncio e soube-me a pouco, a nada. Canta desafinado o resto da vida, Beatriz, que eu ponho a mesa. Não mudes uma única nota. Feliz aniversário. E não, nunca te vou dizer que desafinas — faz de conta que não sei.
Catorze anos a cantar o mesmo fado, desafinado,sempre a partir do mesmo verso, com o jantar já apurado,Ouvir esta canção











